quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Fragilidade



O poema cessa
a um pisão no pé,
cessa quando vencem
as dívidas e resta só
dúvida se há dor no poema.

O poema cessa
quando dói o corpo,
cessa na temperatura
da febre contínua
que desce os
secos dos lábios.

Ninguém grita
um verso doce
ao martelar seu dedo:

nessa hora só resta
dor, não há filosofia...

há quem diga palavrão,
quem solte um berro,
mas nessa hora o livro
contendo poemas não
é lembrado ou desejado –
transforma-se apenas
em carne, ossos e sangue.

Conosco morrem as idéias,
os gritos de guerra,
delicadas palavras –
nada resiste ao colapso
do corpo que faz poesia.


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