quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Da parecença

















Eu a vi profunda como longe no fundo de um retrato
que parece esconder olhos vazios, olhos distraídos
do repente de luz a captar toda a fúria do silêncio,
toda ela sendo gesto de lentidão, se tranformando real.

Vi que a mira das flores nunca é o ar, mas a terra
e tudo o que vi foi natureza morrendo roxa nos lábios,
um vermelho de seda nascida do broto da terra,
e tudo o que vi foi sangue e sua pétala despedaçada.

E eu parecia entender da física na força de teus passos
e parecia entender da matemática ignorante nos teus olhos
e se fez ciência o que era fé, morte o que era energia.

E toda química não tinha mais a reação dos corpos,
a biologia do fim da natureza na matéria expulsa dos poros,
voltando a ser profunda -  longe - do fundo de um retrato.



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