terça-feira, 16 de outubro de 2007

História inquietante de um encontro ao acaso



A moça falava de tudo o que desejava saber do moço
com os olhos atentos, os sussurros das feras, aos urros
e ambos eram só nada, eram só saber não sei, amavam
do mesmo modo como amam os animais, e se aquietavam
com o mesmo silêncio dos que morrem e dos que vão ao
longe, em fuga, disparados seus corações como a corça.

Morta lua, foram aos seus lados, e morriam de arrependor
e morriam de olhar para seus corpos, arder de tocar fraco
e leve no pouco que ficavam e no que nunca queriam saber
– a saudade, a palavra que não era amor, que não era boca
não era hoje, e nem agora: eram choro os olhos tristes –
assim, um procurava do outro a vontade de ter o outro em si.

A moça de olhos grandes; o moço procurando para quê
olhava ela quando, para onde lugar olhava ele - o que
tinha a moça de ver parecia entender que amor era o seu,
da moça de olhos grandes: ela apenas o admirava, e era
um resto de amor que ficara dos panos, gotejo da noite
de amor que caia naquele encontro casual, sexo por acaso.

O moço de inventares longos; a moça de segredos secos
pairavam cansados um aos olhos do outro em pouco falador
pois que eram antes de ser por sonho de moço e moça,
a asa e a cor pousadas em seus próprios ombros - nuvens
como casulo para cada gota, pronta para deixar cair em água
suores, que depois de muito o calor, vêm na chuva resfriar.

E a moça não mais foi vista, e moço não mais foi encontrado
parecendo o tempo longo demais, e a espera desencontrada,
a paciência sem razão, como não produzisse fé, que o moço
amava a moça, que a moça desejava o moço, e ambos eram
só desespero, e vontade, conclusão e ânsia, e uma lentidão
aos olhos seus, que nunca mais se viram, restando apenas fúria.



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