sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Para quando faltar o amor





Queria eu saber o que faz um pensamento
explodir e confundir
para qualquer momento aparecer
ao que me parece ser
na possibilidade do acontecer
o objeto no ser amado a surgir
pele e coração mais que um invento:

tão real a lembrança de quem se foi
na permanência do objeto, que fica
a aparência de sua dona ali conter
e faz morrer um sonho qualquer
e, logo, dar-se em vida na palavra
trancada, antes palavra ao pé do ouvido,
motivo para um poema de amor,
na falta de quando ela se for.

Se posso dar liberdade letra-a-letra
ao meus devaneios de amor por gota-
a gota tocando meus neurônios a lembrar
que já suamos nossos corpos e sanamos
nossas dores em meio a tanto grunhido,
de tamanho cio, esse grão aos animais
da palavra incompleta que nos faz tais
a cada um que ama e rola de sexo-a-sexo.

Mas você, no fim de tudo, sumiu e ficou
o pensamento no objeto qualquer que te faz
aparecer, explodindo e confundindo,
no desejo de você onde foi a hora íntima,
na noite veloz acontecer - eu a perceber,
por assim dizer, nós sem nenhum
pensamento, como fazem os bichos
com suas naturezas e sem nenhum objeto,
apenas um e outro, apenas eu e você.


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