quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Poluição


Como um rio sem margem há tráfego inexato
de pessoas se afogando, e há destroços que poluem

a vida dos que são da água e a vida dos que são

da terra, mas não precisam do ar como estrutura.


Eu sou peixe que sente a morte do rio e

na minha submissão aos homens não sei qual

destino ter, pois posso servir de maneira tenra

à fome e à arte na cidade perplexa de afluentes.


Tanta gente com pressa, tanta força na certeza

que eu me pergunto onde nasce tanta fúria.

“Meu Deus, os seres marinhos, aonde vão?”


Afinal, de que vivem os tubarões e as sereias

quando encontram seus destinos em meio à lentidão?

“Meus Deus, que mar recebe este rio e o purifica?”



2 comentários:

  1. Poema sensacional. Gostei demais. Não sei porque, mas me lembrou João Cabral de Melo Neto. Parabéns! Já virei fã. Pretendo retornar em breve.

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  2. Obrigado, André. Não havia pensado nisto. Relendo o poema acho que você tem razão. A imagem do rio tem algo cabralino. Abraço.

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