terça-feira, 27 de novembro de 2007

Retrato Natural




Sem figuras geométricas, sem espelhos quaisquer
falta algo de humano ao homem que morre por aquilo
que sabe nunca mais voltar, aquilo que já é terra e raiz,
pois não vê, em tudo o que percebe há tom de efêmero,
e voa, andando fantasma, e adiante é só viração, página,
mestria e condição, na máquina da pena, de esfinge só.

Cai tudo linha e margem
a tinta que o mascara
são suas mãos, finos dedos, fugindo braços e ombros
cabeça-nuca, neurônio-coração, esvaindo-se um pouco
em folhas, outro pouco em lama, o resto em alma
e vozes, numa lógica de tudo tão raro,
palavração que não segue o ritmo dos rios, do sangue...

A uma demonstração de natureza no peito seu
mais a certeza que é branco o fundo de seus olhos,
foscos os raios de suas visões e muda a força
do seu trovão, assim ligada às veias como fosse fácil
e furioso, natural, a lentidão de suas fibras, assim
tão parte de sua natureza humana como relâmpago
cortando árvore, fechando suas veias, abrindo novos veios.


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