domingo, 4 de maio de 2008

Forasteiros




Os homens que chegam em terra firme
depois de navegar por tempos
sentem não conhecer a amada deixada
na beira do mar, na consciência das pedras
com o vento nas ostras e as ostras a morrerem.

No momento da guerra
em que todos saíam para pelejar
nasciam novos fatos, rumores
de que havia um sussurro constante
um beijo roubado, uma declaração
de amor mal elaborada, imagens de telenovelas...

Quantas crianças não nasceram de
amores forasteiros, casos rápidos ensejados
apenas para saciar a sede de corpos febris,
mulheres amadas em tempo de guerra e paz...

De seus modos brejeiros, de seus beijos maneiros
em agradar somente a um amor da vida inteira
ficaram segredos, ficaram cantigas, lendas urbanas
que ninguém conta mais, que só lembram os trovadores.

Mas aquela que ficou, a única remanescente das ondas
queria jogar-se ao mar, queria levar seu cantar
àquele que a deixou para esquecer-se em campos de lutas
e tombar no barro da vida.

Jogou-se em águas geladas, refletindo o que o céu
contava aos amantes, num silêncio que ecoava seu coração:
tinha as estrelas sob os pés
e o oceano em suas mãos.

Ontem, ela já não sabia do que fora seu amor
se feito de castelos ou de paredes sem proteção;
hoje, lembra apenas que um dia amou
porque deseja ser feliz, mesmo com seu rosto transfigurado.

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