terça-feira, 5 de maio de 2009

Sentimento de Humanidade



Todo o segredo consiste
em saber o que faz
você de mim, o que faz
eu de você, assim feitos
um do outro.

Por toda parte me dedico
a investigar o que nos torna
tão próximos, o que torna
você a mim e, assim retorna
eu a você.

Mas se não houver segredo,
nada o que descobrir?
E se o que existir for só enredo,
imitação do homem
em outro refletido
em outro repetido
em tudo desmedido
quando seu braço abrir?

Se não houver o que desvendar
e tudo for apenas sucessão
e o sol e a lua forem apenas solidão
e reinventar a vida não for preciso
por ser cada um seu próprio Narciso?

Nisto surge a prova que procuro:
tudo se transforma -
uns na matéria além da vida,
outros se unem à natureza
da qual é feita a flor -
para formar um só mundo.

Nisto não há egoísmo
nem sonhos destruídos:
mesmo no porvir há
conhecimento prévio
e doação de si a outrem.

E só restam um ao outro,
as leis da física, tudo
o que tiver um ciclo de início e fim
num amor que perdura entre não e sim
- como você por mim, imposto,
como eu por você, envolto -

e ainda que vindos de distância,
e enquanto a vida se esvair
até um dia por força do acaso
a força invísivel à visível se unir
sem pedir que se explique
por que de tanto amor a quem for
que, por ventura, se dedique.


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