quinta-feira, 30 de julho de 2009

A margem da vida




São distantes os caminhos que levam
homens com cargas, mulheres grávidas
e crianças, e gentes quaisquer mais
com suas histórias no fundo do peito
seus passos marcando a terra
seus fôlegos poucos em muita água
na respiração unida a de outro ser,
nos traços do corpo que limitam o peito
e contornam pele e tocam as bocas.

Se amam, ninguém sabe;
se estão felizes, ninguém sabe.

Seus lugares no mundo
quem dirá onde e quando?

De onde vieram e para onde partem
neste lugar de agora e já
com seus passos sentem inominavelmente
o que não tem sentido nem nunca terá,
o que faz deixar fronteiras
e se deslocar para sempre ao depois
do que se vive neste momento.

Amores há que se podiam dar
mas não chegaram seus passos próximos.

Gentes iguais se dariam as mãos
porém onde um está o outro é longe.

Todas essas pessoas que vêm de histórias
e distantes de sentimentos ligam-se
pelo ar, de modo igual
às nuvens,
fumaça perdida em toda parte,

mas a mesma essência aos olhos
de todos, separados por continentes.

Desejam apenas uma casa confortável
e apenas querem viver uma história de amor,
um personagem perdido e famoso
ou um instante de eternidade em cada gesto.

Assim estão as pessoas dentro do peito,
perdidas, pedintes e querendo piedade
de qualquer que venha, qualquer que seja
em um pouco de olhar a terra solitária
e cada um perdido em seu lugar de origem
esperando que alguém de longe venha nos salvar
de nossas perdas e o sentimento de desamparo.




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