quarta-feira, 10 de março de 2010

O mundo revelado (excerto)




O poema quando sexo
descabaço na língua
a dicção que nasce
gemido contorcido
na palavra-líquido
e termina por escorrer
num sentimento nítido.

O poema quando fome
dá um soco na palavra
que se diz estômago
dentro da boca do pobre
e na garganta do tísico
finge alimentar e cobre
forma e conteúdo de seu físico.

O poema quando macho
não o é, porque se foi;
quando fêmea frase
de tudo o que não veio
porque só o que está aqui
e permanece ao meu lado
vale na função do verso.

Assim velam meus olhos,
e se abrem ao amanhecer:
em poemas sobre humanos
e sem sexo definido,
suspensos e protegidos,
não numa folha de papel,
mas na linha do horizonte.



Um comentário:

  1. O que dizer?Unico.
    Ótimo blog.
    Estou a seguir-te.
    João Paulo Soares

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