segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Ave que Canta o Dia




Na vigília da noite
eu permaneço e penso
onde estará, se nua e minha,
ou longe e presa,
a ave que canta o dia.
Eu espero a ave que canta o dia,
mesmo nas horas nubladas
e nos instantes cansados
eu espero a ave pousada
em minha janela anunciar
o início da lida,
o curvamento do tempo
e a chegada da luz
onde a porta trancada
traz-me as trevas.

Eu espero a ave que canta o dia
com suas asas abertas,
seu peito estufado
e seu voo ao encontro de minhas veias,
por mais que as horas me tranquem,
se torto e vendado; se sonho e cego.
Mas se a noite for longa,
as estrelas não caírem,
nem a lua desaparecer,
eu ainda cantarei a ave que canta o dia
até que eu me transforme
no objeto desejado,
subindo além das nuvens
à espera de que haja luz,
para lá do mundo em que me encontro.


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