sábado, 8 de outubro de 2011

Cantora




Ah, uma voz me invade, com toda a sua boca,
vem a cantora, permitindo a melodia, a companhia,
colocando nos corpos alheios a dança e um choro
que mais se confunde em riso, emoção parecida
à matemática do ritmo, dos passos, do surgimento do mundo.

Amplia o tamanho de si, não se percebe, apenas segue
e logo domina, compreende sua arte, volta ao palco
vinda da vida, que cantada, inventa seu um outro espaço
com gente que nunca viu, mas são seus grandes amigos,
sentados na penumbra das cadeiras, imitando sua voz de cantatriz.

Alcança a nota, cansa nunca, consigo sente sonora
sua potência, partindo de alto, encontrando os baixos e os outros
até que vêm em duo uns instrumentos de guitarra e sopro
como em cordas de minhas veias, fôlego de meus pulmões
preenchendo em vida o que na vida não se converteu em fala.

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