segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cantata e fantasia das meninas de Bariri


















Era uma vez tão loucas existirem as garotas de Bariri
que eram dúbias, um dia silenciosas, noutro bravas
no que desejavam, que quando se davam apenas diziam
palavras que só elas sabiam em ser essência e estranheza
a razão da vida e da morte de tanto silêncio e paixão.

E no que todos viam eram loucas as garotas de Bariri
e eram poucas, na verdade duas, só as que eu vi
mas tão belas eram, tão queridas, que disso ficaram sós
no muito que criaram mito para levarem ao pó mulheres
que nunca mais crianças eu vi belezas iguais àquelas.

Por uma ouvia no fim do baile noturno canções sem haver poemas
e de outra havia ruídos em cada momento como esperando
a festa de um encontro numa tarde qualquer como nada nunca
soubesse além de devaneios, tão singelos, de tantos segredos,
nem o que tinham a dizer no meio do mundo do que sei delas ter.

Era ela uma viva, dançava e falava quando queria bem
enquanto, bela, a ela outra, tinha os olhos profundos
os olhos tristes, olhos vagos de sofrer e latejantes
diferentes daquela não menos bela do que esta ela
e nada diziam o que eles queriam da menina dona.

Pareciam seus modos que vinham de segredo assim
guardando tudo o que não tinha o resto do mundo
pelo que amor não era o que deixavam para trás
pois que carregavam consigo seus amantes desconhecidos
menos o amor dos viajantes sequiosos de seus saberes.

Qual saber saberá dizer da consciência de suas loucuras
e qual dizer dirá saber da loucura das consciências
das meninas de Bariri fingindo papel ou provocando
das fantasias o segredo da virgindade que ninguém sabia
coisa verdadeira, sentimento falso, ou beleza que queriam?

Que mistério rondava os sonhos de homens e mulheres
e quais mulheres e quais homens sabiam ser apenas sonho
a dura realidade que tinham na carne e no osso da terra
uma vez vista nos sorrisos quando choravam pelos seus dias
acontecendo sempre por solidão que de si mesmas faziam?

Depois da fuga dos dias, que não voltam passo um só mais
a presença delas morreu na procissão de todas as crenças
que sabiam ter de Deus um corpo e um beijo na boca, meninas
tão belas que eram, tão simples, secretas, loucas as duas
em querer tudo passar, vencer e fugir Heloísa e Isabela.



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