sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fortaleza



























Vinicius de Moraes dizia que a mulher tem que ter algo de triste, algo que chora. Concordo com ele, pois isso é o que realça a beleza de uma mulher. Não falo de tristeza constante que podemos confundir com uma depressão, porque bom humor é fundamental em qualquer pessoa para se levar a vida leve e docemente no trato com nossos semelhantes. Quero dizer que a "beleza que chora" numa mulher é algo em sua vida que deixou marcas em sua expressão, seus olhos, seus modos. A mulher que não não possui marcas não viveu, não tem possui expressão, não tem algo profundamente seu para contar, nem com quem se identificar. Poderá ser bonita, porém, sem amor para entregar. De outro lado, o homem se agrada deste tipo de mulher porque haverá sempre quem possa proteger, porque neste tipo de beleza feminina reside uma fragilidade (ainda que seja apenas dissimulada, visto que é nas fraquezas que a vida nos pede que cresçamos e sejamos fortes). Isto possui mesmo seu lado fisiológico, porque um homem de verdade gosta de oferecer proteção e uma mulher gosta de sentir que sempre haverá alguém para tal. É como a mulher que ama rir de suas piadas sem graça pelo simples fato de amar a pessoa que as conta, ela ri mesmo assim porque sabe que vai fazê-lo feliz e mais forte. E ele, por sua vez, sabe que ela, sua amante, é forte a tal ponto de poder fingir que achar graça dele só por amor. A verdadeira fonte de força de um homem vem da mulher que pela vida aceitou dar-lhe a mão. Assim, a mulher é sempre mais forte que o homem, é uma casa-forte para seu construtor, um cais para seu marinheiro, a sempre bem amada de seu amante. O amor não é um acordo, muito menos fingimento, mas é um saber que nem sempre pertencemos a nós mesmos, mas ao outro (isto é o que assusta a maioria das pessoas: não ser mais apenas de si mesmo). Mas eu me pergunto: alguma vez pertencemos a nós mesmos? Caso assim fosse, nunca teríamos histórias para contar, marcas em nossos corpos e almas para que os outros vissem e nos sentissem. O que expomos aos olhos alheios, deixa de ser nosso e passar a ser de quem vir primeiro, com todo o sentimento do mundo que lhe cabe.

 

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