sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Lembrança de uma menina

















                                            (Para Talita Marisol Guimarães, in memorian)

Seu nome foi menina, seu sonho foi criança,
sua idade não passou de uma brincadeira...,
sua cor foi escrita por um raio aquecedor
e seus pés correram porque desejou ser livre.

Tudo o que houve entre sua pele e o ar
foi um momento de sentir a vida passar
e deixar um arrepio nas mãos em mãos alheias.

Já não importa o sorriso largo e ensolarado,
já não importa a voz que não quer calar,
já não importam as pessoas que queria amar,
não importa a música que ontem tocava:

seu nome foi criança, seu sonho foi menina,
sua brincadeira foi coisa de sua idade...,
seu sol já não esquenta nem conspira a favor
e sua liberdade tornou-se um cavalo sem voo.

Queria encontrar o efeito de ser raro
e me perdi na notícia que veio de longe,
na ponte suspensa que se elevou e te afastou.

Se um dia queria tocar o céu, o céu lhe beijou;
se um dia desejou um beijo, a terra lhe adormeceu;
se um dia adormeceu, a vida lhe fez para sempre bela;
se a beleza se eternizou, foi porque ficou a memória.




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